O Nó Epistemológico
PROCESSO DE AUTOAVALIAÇÃO -
Iniciei a reescrita do projeto para entrega ao Prof. Dr. Luis Paulo Leopoldo Mercado. Na justificativa, retomei Luckesi (1994) e Dias Sobrinho (2003) para discutir os mecanismos de controle e as forças que moldam a educação e as instituições de ensino. Em seguida, apresentei as perspectivas de educação (redenção, reprodução e transformação) a fim de explicitar a concepção de sociedade, educação e ensino que orienta a pesquisa. Ao adotar a perspectiva de educação como transformação, fundamentei a concepção de avaliação como mapeamento de fenômenos, com base em Hadji (1994) e Luckesi (1994). Também analisei as avaliações externas, considerando o SAVEAL e os resultados de estudantes do 5º ano de Maceió nas habilidades de área e perímetro.
A avaliação,
entendida como reflexão das práticas docentes, permitiu avançar para a
discussão quanto as tecnologias. Com apoio da epistemologia da técnica de
Vieira Pinto (2008) e do panorama sobre TD na educação brasileira apresentado
por Valente e Almeida (2022), estabeleci a base para abordar o Construtor de
Área. A partir do referencial da disciplina, examinei a concepção de ensino
predominante nos anos 2000 e 2010, período de criação da plataforma, tratando
de transmissão, colaboração, papéis de estudantes e professores, avaliação e
epistemologia, especialmente com Dakich (2014).
Tenho
encontrado dificuldades na identificação da base epistemológica de alguns
conceitos, como a depuração (Valente, 1999), explicitamente construtivista, e a
agência (Dakich, 2014), que aparenta se situar em dois campos epistemológicos
(sociocultural e construtivista). Como estou utilizando esses termos, preciso
delimitar claramente sua vinculação às epistemologias construtivista ou
sociocultural.
Na sequência,
pretendo fundamentar a perspectiva de ensino, avaliação, tecnologia e
epistemologia que sustentam a incorporação do Construtor de Área no ensino de
Matemática (área e perímetro). Considerando que modelos como SAMR e TPACK
compreendem o conhecimento como construção dinâmica, atribuem ao professor o
papel de designer/curador e exigem metodologias ativas e postura crítica do
estudante (Pimentel e Silva, 2023), percebo uma forte aproximação da pesquisa
com a epistemologia sociocultural. O método cartográfico também reforça essa
orientação. Ainda assim, preciso aprofundar leituras sobre epistemologia para
identificar com precisão os termos e categorias antes de avançar na escrita.

Olá, Martone!
ResponderExcluirSua autoavaliação evidencia um movimento consistente de aprofundamento, aliado à preocupação em garantir rigor e coerência teórica à sua pesquisa. Isso se torna ainda mais evidente quando você aponta a dificuldade em delimitar a base epistemológica de alguns conceitos, revelando uma postura investigativa que vai além da simples reprodução de ideias.
Acredito que esse “nó epistemológico” pode ser ainda mais explorado como potência da sua pesquisa.
Como essas tensões impactam suas escolhas metodológicas e a incorporação do Construtor de Área? Seu texto revela um percurso de construção intelectual marcado por avanços e questionamentos, evidenciando um processo formativo significativo!
A incorporação do Construtor de Área ocorrerá por meio da cocriação de uma sequência didática, de modo que minhas subjetividades e concepções impactarão inicialmente esse processo, na tentativa de afastá-lo de uma concepção ingênua. Contudo, na cartografia não definimos de antemão quais serão os dados que ainda serão investigados.
ExcluirDessa maneira, mesmo balizando o trabalho em uma concepção de ensino, tecnologia e epistemologia, somente o acompanhamento do processo poderá evidenciar se houve ou não redefinição.
Entendo que o impacto não está em prever o resultado, mas na escrita e na atuação em campo.
Seu texto chama atenção pela seriedade com que você está enfrentando as bases epistemológicas da pesquisa, sem tentar simplificar o que ainda está em aberto. Gostei de como você mostra avanço teórico e, ao mesmo tempo, reconhece com clareza os pontos que ainda precisam ser delimitados melhor, porque isso dá muita consistência à sua reflexão. Fica evidente um movimento de pesquisa mais rigoroso e consciente!
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