Pistas da inovação: O que define a Inovação na Sala de Aula?

 Matriz de Análise: Do Referencial ao Território de Pesquisa

Um dos produtos da pesquisa será o planejamento, o qual será cocriado (professor/pesquisador). O software não será utilizado apenas para mostrar figuras prontas (como um slide); será uma inovação incremental (Campos & Blikstein, 2019). A estratégia pedagógica deverá possibilitar, para além do clique vendo o resultado (atitude ingênua), que o mesmo passe a compreender a lógica geométrica por trás da malha quadriculada, entendendo o software como uma extensão do seu próprio raciocínio (atitude crítica), criando e produzindo conhecimento por meio dele (Pinto, 2008), ou seja, dando agência ao estudante (Campos & Blikstein, 2019).

O objetivo é que o "Construtor de Área" se torne transparente. Ou seja, que o estudante não gaste energia tentando entender como o software funciona, mas sim o use com naturalidade para resolver o problema matemático. A fluência digital aparece quando o mesmo faz apontamentos críticos e entende a lógica por trás do cálculo (Pimentel & Silva, 2023).

Ao trabalharem em grupos com as simulações PhET, os estudantes são deslocados do ensino da transmissão (o professor dita a fórmula) para a colaboração (os estudantes descobrem a relação entre área e perímetro juntos). O software permite que eles visualizem conceitos abstratos de área e perímetro que seriam muito difíceis de "enxergar" apenas no quadro negro. Isso é a tecnologia mediando a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) (Pimentel, 2015).

O pensamento ingênuo no contexto escolar também poderá ser impactado, pois o corpo docente poderá visualizar, por meio da intervenção, que para a inovação ser real/radical e não incremental na Escola Prof. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, no momento em que for evidenciado que os indicadores melhoram, foi porque a forma de ensinar mudou e não apenas porque há internet na escola ou foi incorporado o uso de um software para a aprendizagem de Matemática (Petter et al., 2025; Celeste Filho, 2020).

Esses fluxos, movimentos e subjetividades serão mapeados. Com isso, a pesquisa irá produzir dados frutíferos para futuras pesquisas no campo da Educação Matemática mediada pelo uso de tecnologias digitais. Ou seja, a pesquisa não é sobre "ensinar a usar um software", mas sobre produzir e mapear dados referentes aos territórios onde ocorrem os processos de planejamento, diálogo, incorporação de tecnologia digital e a aprendizagem de Matemática na cultura digital.

 MAPEAMENTO DE CONCEITOS E PRODUZINDO DADOS   


(Campos; Blikstein, 2019)

  • ·        Inovação incremental: apenas melhora processos existentes. Ex: trocar o quadro negro por uma lousa digital sem mudar a forma de ensinar.
  • ·        Inovação radical: rompe com o modelo tradicional da escola (transmissivo) para focar no aluno como produtor do conhecimento.
  • ·        Agência do estudante: o estudante deixa de ser receptor e passa a ser autor.
  • ·        Cultura Maker: o estudante aprende fazendo e construindo artefatos (físicos ou digitais).
  •    Ruptura com a “gramática” escolar: desconstrução das estruturas rígidas e tradicionais que definem o funcionamento de uma escola há séculos. Ex: o estudante utuliza a tecnologia para investigar e produzir conhecimento. O docente não irá analisar como se deu o processo de aprendizagem e não apenas se acertou ou errou.

(Pimentel; Silva, 2023)

  • ·        Alfabetização digital: Envolve o domínio técnico (o "manuseio"). Saber operar o aparato. É o primeiro passo, mas é insuficiente para a inovação.
  • ·        Fluência digital: É a competência crítica. É saber "digerir e filtrar". É a capacidade de selecionar a tecnologia certa para o problema certo e entender as implicações éticas e sociais (privacidade, fake news, algoritmos).
  • ·        Tecnologia transparente: uma tecnologia é transparente quando ela “desaparece do foco da atenção para dar lugar à atividade pedagógica. Ex: Quando usamos um lápis, não pensamos no grafite ou na madeira; pensamos no que estamos escrevendo. Assim o lápis é "transparente". O foco não é a tecnologia e sim o que produzimos e o processo de produção.
  • ·        Cultura digital: é um novo modo de viver e produzir cultura na contemporaneidade. As tecnologias digitais não são externas, mas o próprio ambiente onde a vida acontece. Nesse sentido, o currículo escolar deve dialogar com essa realidade.

(Celeste Filho; Kobayashi, 2020) 

  • ·        Inovação: não é apenas invenção tecnológica, é a difusão e a internalização de novas práticas por parte dos sujeitos.
  • ·        Internalização: A mudança é validada pela percepção e aceitação de docentes e estudantes. O professor é sujeito da mudança, compreende e aceita a tecnologia em sua prática como algo natural.
  • ·        Difusão/Imposição: A inovação só existe quando é "aceita" e internalizada pelo grupo social (gestão, professores e estudantes). Se o docente não a vê como útil, ela permanece apenas como um "objeto" imposto.
  • ·        Formação continuada: A inovação exige que o professor repense seu papel profissional diante das novas realidades.

Avaliação Pedagógica (Petter et al., 2025):

  • ·    Inovação pedagógica: mudança real nas estratégias de ensino e avaliação. Ocorre quando mudamos a estratégia de avaliação, deixando de avaliar apenas o "produto final" (a prova) e passando a avaliar o "processo de descoberta" mediado pelo digital.
  • ·    Resultados de aprendizagem: A inovação deve ser medida pelo impacto na melhoria do processo e não apenas pela presença da novidade.

Comentários

  1. Meu caro Marrone, que aprendeu na última aula? E como a produção deste infográfico lhe ajudou a aprender mais sobre o tema?

    ResponderExcluir
  2. Olá, professor!

    Esses movimentos de discussão conceitual, leituras, produções e outros estão, aos poucos, me ajudando a desenvolver uma base conceitual epistemológica em relação à tecnologia.

    Estou começando a visualizar qual base epistemológica seguir para a produção do meu capítulo dentro dessa temática. Também estou compreendendo melhor meu próprio objeto de estudo, o que me levou a reconfigurá-lo, criando a "espinha dorsal" da minha futura análise de dados.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

"Além do Clique: Refletindo sobre Tecnologia e Aprendizagem com Vieira Pinto e Pimentel"

Aula 1: Primeiros Passos: O Início da Nossa Jornada na Disciplina

Aula 02: Da Teoria à Provocação – Desvendando a Inovação e as Tecnologias